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4 de janeiro de 2013

Decio Tozzi Orquidário Ruth Cardoso, São Paulo


A escala da construção integra-se ao espaço livre do parque Villa-Lobos
A escala da construção integra-se ao espaço livre do parque Villa-Lobos
Oca diáfana aflora em parque público
Idealizado no final da década de 1980, o parque Villa-Lobos, na zona oeste da capital paulista, vem sendo implantado em etapas. O Orquidário Ruth Cardoso é uma das novas edificações que vêm dando forma a esse espaço público. Definida pelo arquiteto Decio Tozzi, autor do projeto, como uma “oca diáfana”, a construção inaugurada no final do ano passado presta homenagem à antropóloga falecida em 2008, com um desenho que remete às ligações entre arquitetura primitiva, tecnologia e antropologia.
A consistente trajetória intelectual da antropóloga e professora universitária Ruth Cardoso, com estudos e pesquisas sobre movimentos sociais, cidadania e trabalho, já havia sido homenageada na denominação do Centro de Cidadania da Juventude, de Eiji Ueda, e do centro cultural da Fiesp, projeto de Paulo Mendes da Rocha.
Agora, a esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falecida em 2008, dá nome ao orquidário implantado no parque Villa-Lobos, emSão Paulo. Um tributo arquitetônico que se estende ao programa, já que Ruth tinha conhecida admiração por esse tipo de planta.
A edificação projetada por Decio Tozzi exprime-se por meio de uma arquitetura suave e delicada, tal como a natureza das orquídeas, destaca o autor.
Uma rampa generosa leva ao interior do orquidário
Uma rampa generosa leva ao interior do orquidário

Arquitetura e antropologia se interpõem no desenho do orquidário
Arquitetura e antropologia se interpõem no desenho do orquidário

O orquidário é uma das edificações que fazem parte do atual estágio de implantação do parque
O orquidário é uma das edificações que fazem parte do atual estágio de implantação do parque
O desenho, segundo ele, também estabelece ligações com a antropologia, ao buscar inspiração nas moradias das culturas africanas, indígenas e pré-colombianas, cujas soluções buscavam tanto oabrigo contra as intempéries como a obtenção deluz difusa e aeração permanente.
No orquidário, a abertura zenital para a entrada controlada da iluminação e a ventilação permanente - aspectos encontrados nas habitações de diversas comunidades da África e das tribos indígenas brasileiras - foram tomadas como ponto de partida e transpostas para a tecnologia moderna do aço e das peles transparentes de vidro e de plástico. O resultado, segundo o arquiteto, é uma “oca diáfana”, transpassada pela luz.
A rampa secundária leva ao acesso de serviço
A rampa secundária leva ao acesso de serviço

Uma viga de concreto curva e vazada é a principal estrutura da edificação, envolta por espelho d’água
Uma viga de concreto curva e vazada é a principal estrutura da edificação, envolta por espelho d’água
Uma viga de concreto, vazada e em arco, “estrutura a forma e sugere a escala do orquidário, oferecendo o volume de deslocamento de ar necessário à delicadeza das orquídeas”, afirma Tozzi.
Situado no meio da construção, o arco tem, de ambos os lados, uma série de treliças apoiadas no anel semicircular e travadas por meridianos horizontais que configuram o formato de quarto de esfera da edificação.
“A inserção dessa estrutura metálica curva se faz no banzo superior da viga,de um lado, e no banzo inferior, do outro. Isso possibilita a saída do ar nas aberturas do arco-mestre de concreto, que assim favorece a ventilação permanente”, detalha o arquiteto.
A implantação também observa o princípio pré-colombiano pelo qual, para ficarem protegidas dos ventos fortes, as habitações eram semienterradas, aflorando apenas sua cobertura.
O orquidário está 1,5 metro abaixo da linha do solo, com acesso por uma generosa rampa. “Essa solução cria um embasamento a 1,20 metro do nível do parque, sobre o qual pousa a oca transparente”, acrescenta o autor.
Para ele, a escala da edificação integra-se ao espaço livre do parque e relaciona-se harmoniosamente com as outras construções, como a torre d’água ali erguida.
Todos esses elementos, segundo Tozzi, fazem do desenho uma homenagem a Ruth Cardoso, ao lançar mão de expressões de culturas primitivas “que ela estudou como antropóloga e defendeu como cidadã”.

Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 375 Maio de 2011

Decio Tozzi
Decio Tozzi (FAU/Mackenzie, 1960) é autor, entre outros, do Fórum Trabalhis t a Ruy Barbosa, em São Paulo, obra cujo material de projeto integra o acervo permanente do patrimônio universal arquitetônico do Museu Nacional de Arte Moderna do Centro Pompidou, em Paris
A forma esférica contribui para a obtenção das condições necessárias à sobrevivência das plantas
A forma esférica contribui para a obtenção das condições necessárias à sobrevivência das plantas

Membrana de polietileno fixada a peças metálicas cobre o conjunto
Membrana de polietileno fixada a peças metálicas cobre o conjunto

Umidade e temperatura interior são propícias ao cultivo da planta
Umidade e temperatura interior são propícias ao cultivo da planta

No centro do espaço, em totens de aço corten estão as espécies que buscam luz
No centro do espaço, em totens de aço corten estão as espécies que buscam luz

Extraído: http://www.arcoweb.com.br

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Estive lá pela primeira vez dia 01 de janeiro de 2013 e fiquei absolutamente encantada com a arquitetura, com a homenagem à Ruth Cardoso que sempre admirei e às belíssimas espécies de orquídeas.

Sensacional, recomendo este passeio.
Beijos e feliz 2013.



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