Pesquisar este blog

7 de julho de 2012

"NOVOS TEMPOS" - Ou como a gente se apropria das coisas do mundo... (*) por Joyce Diehl


"Quanto mais visual e perceptível é uma tendência, mais rápido ela se dissemina".
Henrik Vejlgaard
Uma coisa que me move - sempre! - é aprender. Mesmo que o assunto já esteja dentro, mesmo que em mim já faça morada. Aprender, já disse Albert Einstein - nosso gênio da língua para fora - , abre um caminho sem volta: " A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original". Aprendo com minhas leituras, com meus cursos, com as coisas do mundo aqui de dentro e lá de fora. Aprendo com mais velhos e com mais novos. E creio que é disso que me alimento. Do velho e do novo, e está na junção dos dois, o caminho que sigo, feliz por aprender a cada minuto algo a mais.
Maio foi mês de Coolhunting (*), palavra gostosa até de pronunciar. Leve até no entender. Num método fácil de entendimento sobre o termo, cool vem de legal – aqui no sentido de novo, leve + hunting, de caça, de procura. O termo data do final dos anos 1990, e traz a tona um "novo" campo de trabalho, que é o de "caçar", estar atento, observar - e principalmente fazer previsões, feito um meteorologista - as mudanças de comportamento. Sim, tem a ver com pessoas e com tudo que "parte" de suas mentes: arte, criação, como se vestem, o que falam, o que consomem ( aqui no sentido mais amplo do conceito) , como se apropriam do mundo que, se pararmos para pensar, está em constante e inevitável movimento, em constante e inevitável mutação. Nem nós somos os mesmos, apesar da aparente mesmice de nos sermos: hoje somos outros, somados ao tempo. Se a cada segundo tem-se a oportunidade de aprender e apreender algo, então somos outros.Coolhunting – e seu profissional que surge, os coolhunters, são os novos caçadores. Não de arcas perdidas, mas exatamente o contrário: de arcas presumidas, novas, diferentes, reconhecidas na multidão. Caçadores em um mundo em pleno movimento, dinâmico, mutável. Nossas virtudes, crenças, valores. Nossas histórias, tudo aquilo que construímos no nosso dia-a-dia, no nosso caminhar. Nossas procuras.

E é um procurar amplo – o que pede amplo e sem nenhum preconceito olhar – de tudo que acontece no mundo – próximo e longínquo: nas ruas, nas modas fora de passarelas, na literatura, no cinema, nas noticias, nas conversas de bastidores, no movimento do mundo. Para onde ele, o complexo mundo, formado de infinitos "planetas", está indo. E, sim, os muitos mundos convergem em vários pontos. E são esses pontos em comum que atraem os nossos novos caçadores, sempre atentos, com suas antenas parabólicas ligadas, de plantão. E nada a de exato nisso, já que se baseia no comportamento humano...tem coisa mais volúvel?
Não, não tenho a pretensão de resumir o curso, nem de passar aqui muitas informações e , sim, de abrir um leque de intenções, alertar de certos caminhos para onde segue a vida. E de que, instintivamente, já falei muito por aqui. E falo, sempre. Porque sinto. Porque creio. Porque vejo acontecer. Porque está ai para quem quiser ver.

A casa, por exemplo. A insegurança dos "novos tempos", que vem da transformação rápida demais das coisas – e das relações e viver "líquidos", como declara e defendeBaumann (*), do borbulhar de notícias e acontecimentos, do exagero de informações, faz que percamos o rumo, que adotemos um freio. Que voltemos para a "toca", feito feras assustadas. O homem, que lutou tanto para sair de lá e enfrentar o mundo, agora se assusta e volta. A casa volta a ser, de novo, um oásis, que descansa, muralha que protege, parada, conforto. O conviver " dentro", ganha novos espaços: uma cozinha que, de novo, se agiganta, amplia suas atividades. Faz parte integrante da casa, não (se) confina mais. Uma sala que já não é mais só de visitas e se abre para a família, que faz dali um lugar de convívio, como um dia já foi. Sim, somos seres que hoje nos isolamos do mundo – que agora se chama quarto – mas sem deixar de conviver com o mundo lá fora – de novo a família, os parentes, os amigos, os animais de estimação – e esses todos , juntos, por detrás da porta. Casa de braços abertos, protegendo dos perigos do mundo.

E não viria dai a veia vintage, a veia retrô, que eu chamo de "conforto emocional' do bem lembrado, do conhecido e reconhecido como bom? E não viria dai o retorno do hand made, trazendo à tona os crochês e tricôs de nossas avós? Não viria dai a veia cômica das coisas, a decoração despojada a e alegre, a alegria das cores se contrapondo a um mundo que se mostrava cinza e marrom? E não viria dai o assumir a casa com a nossa cara - a casa com alma, como gosto de dizer, o novo lar - e não com a cara da revista da moda?
Sim, o chamado "novo luxo" traz muito disso: a beleza do simples, do frugal, do possível, do democraticamente de bom gosto. Do "mal acabado" - mas meu, da mistura do ontem e do hoje, do charme da peça única que traz na etiqueta um "feita por mim".
Sim, lembro que toda tendência traz por trás uma contra tendência, mas, cá entre nós, tem coisa melhor do que se ser feliz como se é, ser feliz com o que se tem, no assumir o que se gosta? Não. E isso nunca vai mudar. Porque a gente , com o tempo, ganha elasticidade de pensamento, ganha sabedoria. E ela, a sabedoria , nos diz todo dia que "se ser" é tudo de bom...

Mas esse papo é longo, aberto e amplo e muita coisa ainda vai rolar. E mudar. Disso é feito a vida: de transformações, adaptações, variações, aceitações e enfrentamentos. Isso nos move. Isso move o mundo. Quem sabe até a próxima coluna eu mesma mudo?
Revejo meus textos, esse e muitos, muito mais antigos, e me vejo meiocoolhunter....será?

(*) Curso Coolhunting, promovido pela PUC PR com a equipe da Berlin Cool, de Curitiba, PR, especializada em desbravar tendências.
(**) Baumann, Zygmunt, sociólogo polonês ainda vivo , ele, sim, um coolhunter natural da vida, e que teve sua obra proibida por anos ( belo indício de caminho certo), defende a tese da ausência de "peso" nas relações, da ausência de profundidade das coisa s e sentimentos. Sugiro leitura.


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...