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28 de janeiro de 2012

10 segredos de uma casa feliz - Carolina Nogueira


Valorizar o simples, o cotidiano, a luz que invade a sua mesa na primeira hora do dia, 

as plantas que brotam inesperadamente. Enxergar os detalhes que cercam o seu lar 

pode ser a fórmula para ser feliz agora

Texto Carolina Nogueira
Pode ser que nem você saiba ainda o que vai querer da sua vida daqui a cinco ou dez anos, 
mas a designer holandesa Lidewij Edelkoort tem uma boa ideia a respeito. Aos 61 anos, 
20 deles dedicados a estudar comportamento de consumo em vários países, Li é conhecida 
como a maior autoridade em previsão de tendências do mundo. De seus escritórios em Nova York,
 Paris e Tóquio, ela antecipa para clientes como Nissan, Lacoste e Coca-Cola quais serão os nossos próximos desejos. Não só na estação seguinte, mas na próxima década. “As pessoas falam 
como se eu fosse uma mística, uma adivinha. No entanto, tudo o que faço 
é prestar atenção no mundo”, diz ela.

A última novidade da moda, do design e da arquitetura, as culturas tradicionais, as mudanças 

sociais, os movimentos políticos – nada escapa ao seu caderninho de anotações, no qual cola fotos, desenhos, pedaços de tecido e recortes de notícias de jornal. Quando estuda um hábito de consumo, 
mais do que saber onde se comprou ou quanto se gastou, Li persegue os desejos profundos que nos movem quando escolhemos uma colcha ou decidimos pintar uma parede de azul. 

O resultado de suas análises é editado em catálogos exclusivos para seus clientes e na revista 

semestral Bloom – em que, ao contrário do que se possa imaginar, não se encontram projetos, 
paletas de cores nem tendências batizadas com algum nome criativo. Nada disso. São cadernos 
de inspiração, de convite à criação, à reflexão sobre nossos desejos profundos, instintivos, que normalmente acabam soterrados pela correria da vida. São conceitos abstratos e imagens etéreas 
que servem como excelente ponto de partida para a concepção de todo tipo de produção – 
inclusive dos seus projetos de construção e reformas.

Numa tarde nublada do outono parisiense, Li apresentou alguns desses conceitos, dessas vontades 

que ela batiza de “culturais”. 
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1. O dom da luz 
A janela é um espaço privilegiado da casa.
Ela emoldura a paisagem e funciona como
uma ponte entre o que está dentro e o que
está fora. Ela convida a sair e traz para a
casa um pedaço do resto do mundo.
Quando pensar em cortinas, não queira isolamento.
Modelos pesados – como os de veludo
vermelho do teatro – só são bem-vindos
como um jeito inteligente de dividir
ambientes, no interior da casa.
Nas janelas, cortinas são cúmplices da luz,
não seus algozes. Devem ser de fibra natural, para balançarem ao vento, como o vestido de uma criança correndo pelo corredor, depois
de um banho fresco no meio de uma tarde de verão.

A luz não é um detalhe: ela é a vida por completo. Deixe o sol da manhã acordá-lo, tocando de leve a sua pele.
Sinta no seu corpo a alegria de estar 
vivo.
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2. O cuidado dos outros 
Talvez você já tenha presenciado a cena
de um reencontro de pessoas queridas
em um aeroporto e, mesmo sem conhecer
os envolvidos, tomado aquela alegria como
sua.
A explicação para esse sentimento: você faz parte da grande família dos homens.
Cada vez que um idoso segurar um bebê
no colo ou você tocar a barriga de uma
mulher grávida, ou que a mão calejada de
um homem segurar delicadamente a de um
menino, você vai fixar essa cena em sua
mente. Pense na sua família, nos seus
amigos, na necessidade que cada ser
carrega de trocar experiências e de entrar
em contato. Não negligencie a conexão íntima, rústica, que não passa pela palavra. 
Valorize a simplicidade da amizade entre
todos os espíritos – até mesmo com seu cachorro, com um gatinho de rua.
Apaixone-se pelo ciclo da vida e compartilhe com o outro a essência desse modo de viver.
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3. A beleza do inacabado 
Há milênios, os japoneses cultivam uma
estética baseada na aceitação da transcendência e do eternamente inacabado. Concebida
como a beleza do imperfeito, do
impermanente e do incompleto, a filosofia
wabi-sabi se expressa no ritual do chá,
nos arranjos de ikebana, no exercício interminável de manter um jardim feito
de pedrinhas e areia, na qual você desenha e redesenha com a ajuda de um ancinho.
Mais do que o resultado final, é o ritual que importa. Amar o inacabado é aceitar que viver não se trata de atingir um objetivo – que, no fundo, a gente nunca chega lá.
O que importa é o caminho. 
Celebre o assimétrico, o instável. Ninguém precisa recuperar o jardim zen que teve
um dia para entrar em contato com essa filosofia. O desafio é construir seu jardim zen interno, espiritual. Encontrar o seu ritual eternamente inacabado, que não tenha nenhum objetivo maior a não ser fazer você feliz.
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4. A ordem das coisas 

Você já percebeu como nossas casas estão
cada vez menores? Mas pense bem:
por que isso é ruim? Em menos cômodos
há mais convivência. Estamos mais perto
de quem amamos.
Não é uma questão de espaço, mas de organização. Em uma casa menor, só
cabe o que importa – então livre-se de
tudo o que entulha a vida.
Delete o supérfluo. Arquive as memórias.
Seus móveis precisam servir para alguma
 coisa: tenha estantes, use gavetas,
crie caixas.
Ouse reciclar, acolha os materiais baratos
pense em papel kraft, em caixas de feira,
em nichos de madeira. Nutra o hábito de classificar o essencial. Faça da organização
um ritual de purificação – não uma penitência.
Resuma. E, sobretudo, permita o vazio e 
o celebre. Ele é um convite à criação.
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5. As habilidades das mãos 

Disponha um arsenal sobre a mesa: lápis,
lã e agulha de tricô, uma xícara de farinha,
um pedaço de tecido. Agora desafie suas mãos a escolher suas armas. Ao ataque: crie.
Usar as habilidades das mãos dá sentido 
à vida.
“Muitas vezes ouvi, e tenho certeza de que
você também, pessoas dizerem “no dia em
que eu tiver meu ateliê, vou pintar quadros”,
ou então “vou fazer esculturas...”, diz Li.
“Todos nós sabemos que não precisamos
de nada disso. Simplesmente vá lá e faça.”
Grandes criadores contemporâneos, como
o arquiteto italiano Andrea Branzi,
concebem móveis nos quais acoplam
criações: gravuras, pinturas, esculturas
que já vêm como parte
de uma estante. Mas logo ao lado há um
nicho, um espaço vazio, convidando a ser ocupado por você. Para que comprar,
se você pode criar?
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6. A cura pelas plantas 
Aprenda com as plantas a viver o 
momento presente. 
Amanhã a flor pode já ter murchado. Amanhã pode ser que não chova – ou que
falte o sol. Aprenda com as plantas a não
economizar experimentações.
Viva o hoje intensamente. Aprenda a
aceitar o eterno ciclo da mudança de estações
como uma bênção. Receba cada fase como um novo começo – e não como um novo fim.
Tenha em mente que é sempre possível
replantar, mudar de terra.
Celebre, numa simples mudança de jardineira,
a promessa da terra nova. Os budistas dizem
que, se pudéssemos perceber claramente o milagre que representa uma simples flor,
nossa vida mudaria por completo.
Contemple a vida em suas infinitas escalas
– da planta inteira, raiz, caule e folhas, ao microcosmo de cada nervura de folha.
Cerque-se de plantas, aprenda com elas.



Acredite numa vida mais saudável e mais perto do natural, em que as plantas sejam 
acolhidas numa casa como seres e não como objetos.
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7. O sentimento de liberdade 

Vivemos uma era nômade, sonhamos com 
evasão. Queremos ter raízes – mas
precisamos poder nos livrar delas de vez 
em quando.
A mobilidade tornou-se uma urgência.

Poder mudar permanentemente sua casa de
lugar tornou- se o idílio do nosso tempo.
“Nas minhas férias, conheci um jovem que viajava por uma rota de praias em seu 
coupé conversível, luxuoso”, conta Li.
“A cada dia ele chegava a uma cidade 
diferente e instalava ao lado do carro uma 
minúscula tenda de camping para uma 
única pessoa, onde passava as noites. 
No contraste de seu belo carro com esse 
estilo de vida de uma simplicidade 
fundamental, extrema, eu vi o sonho contemporâneo de liberdade.”





O verdadeiro luxo de hoje em dia é poder ser livre.  Dormir numa rede. Não seguir a moda. Desenvolver uma relação mais profunda com os objetos que estão em seu entorno, buscar o essencial. Ter uma vida portátil.
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8. Assar o pão 
Do cheiro de pão no forno emana
a promessa
de um belo dia pela frente.
Água, farinha, sal e fermento.
Nenhum alimento é mais simples.
Nada pode ser mais essencial.

Toque o relevo da casca, saboreie o barulho
que ela faz ao ser partida com as mãos. Experimente a textura do miolo que se desfaz lentamente enquanto uma fumaça suave e quase transparente convida: me saboreie.

Ame o cotidiano com o mesmo amor incansável com que todas as manhãs celebramos a nossa paixão pelo pão.

Cultive pela vida esta mesma instigante e insaciável fome.
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9. A alegria do lar 

No fundo, a ideia é esta: a sensação que você tem quando volta de uma longa e cansativa viagem. Você deita na sua cama, encosta a cabeça no travesseiro, coloca sua música preferida para tocar, fecha os olhos e constata: “enfim, em casa”. Ao seu redor estão seus livros favoritos. Seus quadros favoritos. Suas comidas favoritas. Suas pessoas favoritas. Você vai andar de pijama. Vai beber leite. Vai cozinhar. Vai dormir debaixo de camadas e mais camadas do lençol mais macio que tiver. E vai almoçar no chão da sala – se decidir assim.
Pense nos seus sonhos de criança, quando tudo o que você queria era morar numa cabana na árvore. O que você levaria para lá? Seu brinquedo preferido, sua comida preferida, seu amigo preferido – e não muito além.
É disso que se trata ter uma casa, um refúgio no qual você se reconheça em todos os objetos e móveis.
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10. Patchwork de culturas 

Um quimono e um turbante árabe. Uma louça chinesa sobre uma tapeçaria mexicana.
O cocar de um índio brasileiro enfeitando uma máscara africana. Artefatos de todos os povos, de todas as épocas, contam as mesmas histórias de valentia, de valores, de respeito.
Conectar culturas é celebrar o que existe de comum em toda a humanidade. Antes de os europeus chegarem às Américas, povos indígenas de norte a sul do continente desenvolveram o ikat, uma técnica de tecelagem feita a partir de fios retorcidos. Nunca foi possível identificar onde a tradição começou. Estampas semelhantes e técnicas idênticas surgiram em diferentes pontos do continente americano ao mesmo tempo.
“O ikat é a metáfora perfeita das conexões que existem entre as culturas”, ensina Li. “A força espiritual que conecta as diferentes tradições. Um jeito nômade de descobrir conexões e celebrar as ligações invisíveis dos povos.”

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Texto e imagens extraído: http://revistacasaejardim.globo.com

Negrito, grifado e itálico são as minhas indicações do que acredito mesmo ser FUNDAMENTAL para que este lugar, espaço que com carinho chamamos de casa se transforme em um VERDADEIRO LAR.
E indicação da querida Joyce Diehl no Face...kk
Beijos a todos e desejo um EXCELENTE FINAL DE SEMANA.
Neide Teixeira


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